quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

breve pesar

Hoje, uma grande amiga minha me magoou de uma forma bem profunda. Talvez, tão absorta em “ensimesmismos” que esteja, demore ou chegue até a nunca perceber o que me fez. Portanto, aqui vai uma pequena reflexão sobre injustiça e perdão.

A injustiça é um entendimento latente que ainda não sabe que é um entendimento e que tenta passar por uma brecha que nossa autodefesa cometa. Perdoemos tamanha incoerência!

domingo, 24 de outubro de 2010

Poucas


De uns dias para cá, minha cabeça tem sido alvo massacrado por todas as minhas vicissitudes. Nunca imaginei que dentro de mim pudesse haver tanta contradição, tanto equívoco, tantas coisas foras do lugar. Mas hoje, em especial, um fato muito inusitado ocorreu. Lembrei-me de um texto que há muito tempo escrevi. Na verdade a lembrança não foi exatamente do texto em si, mas de suas entrelinhas. Eu decidi relê-lo e aqui o posto.

Poucas

Destino... Que coisa relativa!
Quantas pessoas reconhecem o valor oculto, aquele que pode ser até mesmo aquela unha que nunca inflama no dedo do pé?
Quantas vezes temos a coragem de pedir ao relógio para passar exatamente a hora do modo que ela tem que ser passada, sem nenhum atropelamento ou pausa?
Quantas canções a gente realmente canta sentindo-a, vibrando, nos pondo em cada verso, entoando cada sentimento escondido naquela melodia?
Quantas pessoas têm o dom de derramar o vinho, recolhe-lo e logo ir em busca de outro, mesmo sendo o derramado o mais caro da safra?
Quantas pessoas percebem a perfeição da rotina de acordar, comer, andar, cansar-se e dormir muito?
Quanta gente sente-se amada sem ser cem por cento completadas?
Quantas poses ridículas temos a ousadia de fazer para nós mesmos diante de um espelho pelo simples e completo prazer de fazer?
Quantas rosas dadas realmente são provas de amor e quantas pessoas reconhecem que o amor também tem espinhos?
Quantas pessoas possuem o olhar, aquele simples olhar que muda o curso do rio e quantas são capazes de perceber esse poderoso dom dos olhos?
Quantas poesias descrevem de fato o nosso tipo de amor e quantas poesias ainda restam no mundo?
Quantos de nós sonhou longe... alto... voando bastante, e quantas pessoas acordaram logo em seguida sem medo de realizar?
Quantas pessoas já descobriram que para sermos felizes com alguém, basta sermos felizes com nós mesmos antes de tudo?
Quantas pessoas agradecem intensamente pela brisa que acariciou a nossa face e levou consigo qualquer feição de mal humor?
Quantas simples pessoas cultivam a escassa fé que remove as montanhas, por mais pesadas que sejam, que soterram os sonhos?
Quantas pessoas possuem o dom de rir, o dom de fazer chorar, e dom de nos tocar mesmo sem um membro do corpo sequer?
Quantas pessoas sabem encontrar dentro do coração a receita para se fazer heróis na hora em que se precisa de um?
Quantas vezes surge em nós a capacidade de sentir, perceber e fazer algo de bom para nós?
Cada um de nós é um vento, um moinho, e um caminho.
Um moinho que se move conforme o vento.
Um caminho que nos dá chão até onde o vento quer nos levar.
E quantas pessoas sabem disso?
As mesmas que sabem o que é o vento.
Poucas


Iago Dzetell
30/09/07

sábado, 7 de agosto de 2010

Depois de você


Por longos anos a gente se acostuma.

A negligenciar o lugar vazio tão apavorante ao nosso lado;

A pensar no amor somente enquanto um verbo inconjugável na primeira pessoa no plural ou somente no futuro do pretérito;

A passar por cima da dor de perceber que preenchemos todos os buracos, mas só resta vazio o único que não somos nós quem preenche.

A relutar no eu e não pensar em nós;

Conformamo-nos em permanecermos sós.

A gente se conforma em crescer mesmo faltando uma única raiz, justamente a que pode pôr tudo abaixo por falta de equilíbrio.

Até que chega alguém e desestabiliza toda a nossa órbita.

Alguém... TINHA que ser alguém!

Tinha que ser O alguém.

É aí que o mundo todo gira em outra direção.

Arranca todos os alicerces podres do chão.

Reposiciona em força vulcânica novas setas para seguirmos e nem pergunta se é essa a direção que queremos.

Faz um estardalhaço tão brutal dentro de nós que por um período a gente estranha.

Estranhamos tudo dentro da gente. Tudo está tão diferente.

É como deixar a casa de um jeito e retornar com tudo reposicionado.

Depois que esse furacão passa, deixa um enorme rastro nem um pouco nocivo.

Bate uma necessidade urgente, imperdoável e desesperadora de acalentar a alma na companhia do outro.

Tudo fica infinitamente mais vago, frio , embaçado e potencialmente mais difícil quando o eu está longe do você.

Um, como um doce e bom vício, precisa do outro.

É quando o sol amanhece mais lindo por saber que você está no mundo,

Quando a natureza toda floresce em sua homenagem,

E quando Deus decide celebrar sua existência criando o amor.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Subentendido


Algo entre o sim e o não.

Mistura perfeita de certeza, talvez e o amargoso nunca.

Hipótese, algo que apenas hipoteticamente ocorrerá.

Sendo tudo subentendido e hipotético, assim permanecerá perdido no tempo e sempre subentendido, algo que hipoteticamente teria ocorrido.

Mas subentendido por dificuldade de entender ou por medo do entendido?

Então permanecerá subentendido!?

Mergulhado no mar das hipóteses, afogando-se no subentendimento...

Vanessa Souza.

sábado, 24 de julho de 2010

Meu coração bate forte.
Mas que bater forte é este.
Sabe não sei se é amor.
A pouco não sabia que éramos.
Éramos mais que amigos.
Será que nascemos amantes?
Mas meu medo burro não me deixa.
Às vezes penso “idiota”!
Mas me vejo em beco.
E no meu perder.
Tenho medo de não te ter.
Fico aqui a pensar em você.
A querer você pra mim.
Não é por pena, ou motivo besta.
É por que te amo.
Que te quero aqui.
Perto de mim meu amor escondido.
Meu amor proibido – por mim?
Seria bom te dizer “te amo”.
Mas a vergonha me faz recuar.
Se talvez você percebesse.
Que te amo mais que a mim.
Que meu universo é você.
Ah meu amor tão meu.
Tão não meu tão distante e tão perto.
Queria dizer-te antes que me extinga.
Amo-te!

Ellielton Leite

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Há uma grande história, de entrelinhas macias e significados intensos prestes a receber a inicial maiúscula que inicia qualquer frase.
É hora de começar a escrever.

Miguel Iago Cavalcanti

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quase uma fábula de auto-descobrimento


Desavisadamente, percebo uns graozinhos de terra no chão.

Tão pequenininhos e sutis quanto a minha força. Olho-os com tamanho despercebimento que misteriosamente tudo começa a fazer um estranho sentido.

De onde eu vim para parar bem ali na frente? E por onde aqueles pontinhos de terra capengaram até esbarrarem em mim?

Com certeza temos alguma coisa a dizer um ao outro: algo que de antemão não se definiria por si só, mas que carregaria em si uma mensagem tão forte que abalaria potencialmente todas as minhas estruturas.

Eu, padecendo de um anacronismo de sentidos, prostrei os meus pés sobre esse caminho para que eles o percorram aos milímetros e façam valer a lei da ação-reação, que eu ande por esta terra e ela ande sob mim. Que percorra cuidadosamente os meus meandros, avalie as minhas saídas, meus muros e minhas tantas outras limitações. Coloquei-me nesse caminho calmo, bem longe dos meus aflitos, não para deixar de ouvi-los, mas para ver se eles se emudecem sozinhos. Não posso carregar mais companheiros do que a minha bagagem comporta, é desonesto para com minha coluna tão açoitada por pesos desnecessários. Vim rezando acima de meus limites esgotados de esperança para encontrar por este percurso algum posto de reabastecimento de fé. E tudo anda tão seco... tão seco que chega a me ressecar por dentro. Meu âmago vira a terra árida e quebrada do sertão esperando pela chuva.

Esta chuva veio na forma de você, pedaço de terra?

Se for, desvende-se pra mim, por favor! Eu sei que é presunçoso e sobretudo injusto com você querer seu desfecho antes dos prováveis clímaces, mas é que eu venho carregando uma sede de desfechos tão letais ultimamente. Meu infinito particular escafedeu-se para um desses limbos onde ficam as apatias. Perdi a esportiva sobre mim mesmo. Não tenho mais tempo a perder e nem tenho um motivo consistente de não ter mais porque não perder tempo. Se eu perdesse tempo minha vida faria mais sentido?

Ah, então você está aqui me fazendo perder tempo?

Se for... Perfeito! Obrigado mesmo! Eu estava precisado de verdade de uma vadiagem mental! Faz bem mesmo. Sinto-me novo em folha para qualquer nova coisa. Como seria a terra que Hitler viu antes de começar o holocausto? Seria da mesma matéria que a de Gandhi, enquanto ele pregava assiduamente a paz? Por que a reposta tem que ser um assustador sim? Por que tudo tem que ter um mesmo princípio e a gente que escolha o seu resto? Eu definitivamente não me sinto apto a fazer escolhas de direções. As minhas setas não param de girar, como saber para onde ir?

- Eu só estou aqui porque me desprendi da minha montanha, assim como você! Só parei aqui para lhe lembrar que minha essência é muito maior do que meu tamanho, também assim como você.

- Ué, migalhas de terra falam? Eu hein, vou é continuar andando!

...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

ébrio

E, às vezes, como uma borboleta o coração se revela.

Como a areia da praia no vento.

Como uma dolorosa despedida de aeroporto.

Como um quadro perdido de metástase.

Como um estado crucial de apostasia.

O homem padece de uma gripe sinestésica a partir de então, seus sentidos enlouquecem.

Sente o amor com o faro, com as fotos, com o vento, com a ausência, com o choque, com os espinhos.

Repentinamente, o amor avança para um estágio tão nocivo... ganha a inebriante beleza das estrelas de nêutrons,que envolve por sua beleza, seu tamanho perolado, mas só quer que a levantemos pra sentir suas toneladas.

É nesse suspender estelar que tudo dói.

Dói saber que a pessoa existe.

Dói a certeza quase fulminante de que essa pessoa não te quer, de que ela não de deseja vivo da forma como você a deseja.

Dói desejar com todas as forças da palavra desejo.

Dói perceber que ela não te respira, não te vê, não te sente em todo o lugar como o sentido de tudo.

Dói tanto! É como se esmagassem todos os seus sonhos.

Dói como a dor de haverem desordenado as setas para as suas direções.

Dói como a dor de soterrar a fé, como a sensação de sentir o peso do mundo em seu peito.

É um martírio tão gostoso, uma vontade cega de querer vencer se perdendo...

É, definitivamente como uma borboleta.

Não há comparação mais perfeita.

Não há comparação mais indomável, mais impermanente, mais imprevisível e mais direta.

Quando você pousar em mim, esquecerei-me de todos os pesos de todas as estrelas que projetei.

Esquecerei o mar de melancolia transpassando em mim.

Esquecerei o frio apavorante de estar só mesmo com todo mundo.

Lembrarei de meus lábios úmidos, meu corpo molhado, meu semblante sereno, mas de predador, e dessa vontade alastrante que precisei emudecer por um momento de nos fazermos felizes,

Mas é só até você pousar em mim.